Um compromisso singular: a obediência

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Photo by Isaac Jenks on Unsplash

O ministério pastoral configura-se com uma tarefa árdua e, embora contra todas os estereótipos, imerso em uma constante crise. O pastor ou pastora não atua em situação ideal, antes, atua em administração de crises, sejam crises inerentes à sua atividade pastoral, ou crises dos membros de sua Igreja, ou suas crises familiares e pessoais. Portanto, pastorear não é uma tarefa simples, há uma quantidade imensa de crises a serem gerenciadas.

Diante deste cenário de profundas crises, o pastor ou pastora precisa ter consciência que seu chamado para servir é um chamado para servir a Deus, e não a interesses outros. Crises existirão em que o pastor ou pastora será intimado a escolher entre preservar o seu chamado ou a sua imagem perante a Igreja, e muitos tem escolhido preservar a imagem e servir a interesses do que temer ao Deus Santo, que nos santifica a medida que somos fieis e fazemos sua vontade. Esta tensão pastoral, entre chamado e preservar sua imagem, têm levado pastores e pastoras a ruína pessoal e afundado igrejas. O pastor ou pastora não pode se esquecer que a autoridade pastoral vem da sua integridade moral e espiritual.

Encontrando-se diante de crises que exigem uma tomada de decisão entre servir a interesses ou servir a Deus, o pastor ou pastora não pode se esquecer que foi chamado por Deus para ser profeta, e profeta não se curva ao sistema, luta com ele, contra ele, mas não se rende aos seus interesses. Por mais bem estruturado que seja a forma de governo e gerenciamento de uma Igreja, ela sempre será corrompida pelo fator humano. Os mesmos pastores e pastoras que são chamados a serem profetas, muitas vezes esquecem-se de seu chamado, e inebriados pelo poder, se rendem aos caprichos institucionais. Não há instituições perfeitas, mas há espaço para o questionamento, para o confronto, e o pastor ou pastora foram chamados a questionar as estruturas que administram e verificar se esta colabora com o Reino de Deus, ou afastam o homem e a mulher de Deus

Concluindo, o ministério do pastor ou pastora precisa pautar-se pelo equilíbrio. Não pode negar a instituição, pois é o seu campo de atuação, mas também não pode render-se a ela, pois negaria seu chamado. Não pode negar as crises em prol de sua imagem, não pode afundar-se nelas, com o risco de tornar seu chamado um mar de lágrimas. Portanto, cabe ao pastor ou pastora a busca pelo equilíbrio de suas ações e atitudes, agindo com integridade e atuando em prol do Reino de Deus.

Que Deus nos abençoe.

Este artigo é uma reação e reflexão à exposição de mesmo nome apresentado em plenária pelo Pr. Ziel Machado* no 36º Encontro de Pastores e Líderes da SEPAL, em Águas de Lindóia,SP, dia 7 de maio de 2009. *Pastor Ziel Machado: Historiador e pastor da Igreja Metodista Livre. Professor da Faculdade de Teologia Metodista Livre.

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