Tecnologia e saúde espiritual

Como sua espiritualidade pode se servir da tecnologia

inte anos atrás, no quando da virada do milênio, muito se dizia que o novo tempo havia chegado e que as religiões seriam esquecidas, viveríamos a era do cientificismo. Aqui estamos nós, na segunda década do século XXI assistindo os cenários sociais ao redor do mundo sendo transformados e regidos por forças religiosas. Das teocracias islâmicas do Oriente Médio aos governos “democráticos” declarados cristãos, vemos como a religião influencia e determina os rumos das nações no presente século. Ao lado de todo esse macro cenário, bem resumido, estamos nós, cristãos, reformados e brasileiros, chamados a viver nossa fé comunitariamente e expressar nossa religiosidade através de nossa espiritualidade. Vivemos numa sociedade imersa em tecnologia, mas como viver uma espiritualidade se servindo da tecnologia, e não se tornando escravo dos dispositivos e redes?

Gosto da definição de espiritualidade do Dicionário Brasileiro de Teologia, da Editora ASTE, no verbete de autoria de Paulo Afonso Butzke:

Espiritualidade é a expressão exterior e corporal da fé interior motivada pelo Espírito Santo. Ela inclui a fé, o exercício espiritual e o estilo de vida do cristão.

Ao longo da história, o cristianismo se expressou espiritualmente de maneiras diversas. Os evangelhos nos relatam Jesus orando solitariamente, ensinando aos discípulos e às multidões. Há uma certa rotina nessa relação. Além da relação com os discípulos, os evangelhos nos mostram Jesus indo à sinagoga e participando das festas no Templo. Em linhas gerais, os evangelhos nos permitem conhecer a espiritualidade de Jesus por meio dos seguintes elementos: ouvir, orar, compartilhar, testemunhar e agir. A pergunta é: como ouvir, orar, compartilhar, testemunhar e agir em nossos dias, com tanta tecnologia ao nosso redor?

Comigo

Tomando por base as ações de Jesus, quero incentivar você a ouvir e orar mais com a ajuda da tecnologia. As principais queixas acerca da tecnologia é do quanto ela nos distrai. Por isso, quero te propor desativar as notificações de seu aparelho e iniciar um processo de educação pessoal no uso do seu celular. Existem vantagens enormes em você usar uma Bíblia em seu celular. Eu uso, correntemente, a Bible Olive Tree (Android e iOs), que possuí acesso pago aos textos, mas me possibilita uma série de anotações e sincronização entre dispositivos. Você não precisa, necessariamente, pagar por uma Bíblia em seu celular, a YouVersion (Android e iOs) está aí e atende muito bem a prática de uma espiritualidade saudável na leitura diária da Bíblia.

Recomendo fortemente que você use um roteiro de leitura da Bíblia. Pode ser a Bíblia 365, disponível no Kindle, ou os planos de leituras do YouVersion, ou outro aplicativo. Isso vai direcionar sua leitura e aprendizado com a Palavra. Na hora da oração, incentivo você a desligar seu celular, ou colocá-lo em modo avião. Não permita que notificações e distrações tomem o seu momento de oração. O momento da oração é para falar e ouvir Deus falar ao nosso coração. Não podemos jamais nos deixar tomar pela falácia de que o momento pessoal de leitura da Palavra e oração pode ser substituídos por meditações ou sermões gravados, cânticos de louvor ou qualquer outra forma de conteúdo gravado. Relação com Deus se dá no privado e no coletivo. Se eu consumo apenas conteúdos produzidos por terceiros e não tenho um momento pessoal dedicado a Deus, eu estou terceirizando minha relação com Deus, me relacionando com a ótica do outro.

Com a comunidade

As redes sociais caíram no gosto do brasileiro. Em nossa nação, Facebook, Instagram, Twitter e Whatsapp possuem uma enorme base de usuários. Somos fascinados com a possibilidade de “escrever textão no Facebook”, “exibir felicidade no Instagram”, “xingar muito no Twitter” e “compartilhar sem verificar no Whatsapp”. Como é difícil fazer com que as redes sejam usadas com sabedoria e não para satisfazer os interesses pessoais. As redes sociais expressam uma face que é presente na vida da pessoa. Por isso sempre falo ser preciso cuidado no uso das redes. São empresas particulares, com acesso quase irrestrito às nossas informações e podendo usar nossas produções livremente. Por isso, a espiritualidade saudável fundamentada nos princípios bíblicos, no exemplo de Jesus, deve ser expressa em nossas redes sociais.

Testemunhar vai além de compartilhar versículos e frases cristãs. Passa por você publicar aquilo que vai conduzir as pessoas para mais perto de Cristo. Isso tem que acontecer nas redes sociais e fora delas. A possibilidade de se compartilhar o evangelho de maneira eficaz através de uma postagem de Facebook, Instagram, Twitter e Whatsapp é mínima. Que me perdoem os mais otimistas quanto a isso, mas o evangelho é mensagem de salvação e vida e deve ser proclamado diariamente, constantemente e por meio do convívio diário e contínuo com quem se evangeliza. Use as redes sociais como iscas, como convites para uma conversa pessoal e contínua sobre o evangelho. Use-as, também, para se capacitar mais, procurando conteúdos que te apresentarão estratégias para falar do evangelho.

E agora?

Para concluir, quero desafiar você a caminhar junto a sua comunidade de fé. Mesmo em tempos de isolamento social, procure interagir com as publicações e transmissões de sua Igreja, participe ativamente da vida comunitária de maneira on-line e, tendo a oportunidade de ser presencial, esteja lá. Use a tecnologia como uma ferramenta, não como um fim. Não podemos mais viver uma espiritualidade de postagens em redes sociais e consumo de conteúdos terceirizados. Tal prática atrofia nossa fé. Na mesma medida que eu desenvolvo minha fé de maneira individual, por meio da oração e leitura da Bíblia, eu a desenvolvo comunitariamente, compartilhando, testemunhando e agindo diariamente a serviço do Reino de Deus. Faça da tecnologia uma aliada nessa prática, não uma ladra de nosso tempo com Deus.

Pastor, escritor e apaixonado por tecnologia | Aprendendo com Jesus a leveza de viver | Pastor desde 2006 | Escritor desde 2007 | https://giovannialecrim.com.br

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