O direito ao sacramento da Ceia

“De fato, foi isto frequentemente praticado na igreja antiga, como se constata de Cipriano a Agostinho; mas esse costume, com a razão, se fez obsoleto”. (João Calvino, Institutas Livro IV, Capítulo XVI, 30).

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Calvino está aqui se referindo a Ceia para as crianças. Não é uma invenção moderna, atual, mas sim o resgate de uma prática na vida da Igreja que deixou de ser vivida e que a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil passa a viver hoje. A Igreja, na Idade Média, deixou de oferecer o cálice aos leigos, tendo como argumento o fato do vinho ser o sangue de Cristo, e o leigo poderia derrubá-lo. Ao retomar a distribuição do cálice para os leigos, usou-se como argumento para que as crianças pudessem ter acesso à ceia a chamada “idade da razão”, fixando, então, a idade de sete anos para participação no sacramento. Tais questões históricas e teológicas, no entanto, já foram superadas por nós, como Igreja, pois entendemos que o vinho não se transubstancia em sangue e também compreendemos que a criança batizada também não está, necessariamente, na idade da razão, e nem por isso deixa de ser batizada. Assim, entendemos que os sacramentos são oferecidos às crianças como consequência da promessa da graça divina, que no batismo se manifesta na pertença do povo de Cristo, conforme vimos, e na Ceia se manifesta na comunhão com este corpo, ao redor da mesa.

Já vimos, em nosso primeiro encontro, que os sacramentos são os meios pelos quais o Espírito Santo age na vida da Igreja. Tal conceito precisa ser reafirmado por nós constantemente. A compreensão da dimensão sacramental de nossa vida é necessária para compreender porquê estendemos às crianças a participação na Mesa do Senhor Jesus. É preciso lembrar ainda que temos por princípio reformado que os sacramentos, bem como a Palavra de Deus, são meios de graça. Não é estranho que levemos as crianças ao batismo, as educamos na Palavra de Deus, no entanto, lhes negamos a participação na Mesa do Senhor? Não são as crianças parte do Corpo de Cristo? Ao negar-lhes a Ceia, as tornamos mero apêndice, corpo estranho ao nosso Corpo. A unidade da comunidade em Cristo Jesus não se dá pela faixa etária, mas sim por todos aqueles que compõem a Igreja. Negar a Mesa do Senhor à Igreja é negar o chamado de Jesus para as crianças, é afirmar que nós entendemos que só adultos podem ter acesso à graça de Deus.

A prática, nos dias de hoje, de incluir as crianças na Ceia do Senhor não é privilégio da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Além de nós, Luteranos, Metodistas e a Igreja Presbiteriana Unida também a praticam, todas à luz do entendimento de que a Mesa do Senhor não foi feita só para adultos, mas é para todos aqueles que Deus chamou para seu Reino, e não há verdade mais absoluta, dita por nosso Senhor Jesus Cristo que “dos tais é o reino de Deus”.

Portanto, ao batizar seu filho, não lhe negue o privilégio de participar da Mesa do Senhor, pois ela é meio de graça para a vida da comunidade, fortalecendo nossa fé e comunhão como Corpo, alimentando-nos para a jornada da vida e o cumprimento de nossa missão de ir e fazer discípulos. Não à toa uma pesquisa recente mostrou que mais de 25% dos membros das Igrejas foram para ela quando crianças. Nossas crianças são poderosamente usadas por Deus para atrair famílias inteira para o Reino de Deus, e a elas deve ser oferecida a graça de participar da celebração máxima da comunhão do Corpo de Cristo: a Mesa do Senhor. Ele convida a todos para sua mesa, principalmente as crianças.

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