Pelo fim da cultura da alta performance

more. A frase estampada em camisetas, fundo de telas de celulares e computadores serve de motivação para uma imensa maioria de profissionais chamados a produzir mais, fazer mais, render mais.

A cultura da alta performance tomou conta dos meios empresariais tendo como carro chefe adaptação à nova realidade das empresas digitais. Na virada do século XX para o XXI o processo de digitalização das empresas estava a pleno vapor e, com a otimização dos processos de produção, veio a necessidade de qualificação dos trabalhadores. Mais do que qualificar, reeducá-los a pensar na nova lógica de produção. É quando termos como “alta performance” e “produtividade e qualidade” tomam conta do vocabulário de diretores e gerentes, não como incentivo, mas como ameaça. Ou você produz muito e com qualidade, ou você não está pronto para o mercado de trabalho. Na mesma onda vieram cursos técnicos, faculdades e agências de publicidade incentivando o termo. Na última década o termo foi retomado por influencers e coachings nas redes sociais como parte de um discurso motivacional de cunho triunfalista.

Mas qual o problema da frase do more? O problema é que ela desconsidera algo essencialmente nosso: a humanidade. É humanamente impossível querer que alguém produza mais. A mente e o corpo possuem limites. Diferente de uma máquina, em que se troca um componente e ela segue produzindo, o ser humano precisa de pausa, distração, ócio, reflexão, prazer mental, prazer sexual, entre outras demandas que exigem tempo. Tais fatores são desconsiderados pela cultura do more. Fazer mais é quase um mantra aprisionador ao invés de libertador, como devem ser os mantras.

Qual a saída? A saída é fazer menos, para que todos possam fazer mais. O grande poder da humanidade não está na sua capacidade de competir com o outro, mas em colaborar. A soma das colaborações produzirá resultados mais eficazes e duradores que o esgotamento de um só indivíduo. Quando se pensa em alta performance, nos conceitos atuais, se pensa numa pessoa viciada em trabalho, que só existe para o trabalho. Quando se pensa em colaboração entre pessoas, se pensa em todos os meios possíveis para garantir o essencial para todos viverem com saúde emocional, física e financeira. Utopia? Talvez, mas sem as utopias nós não lutamos, não nos movemos, não sonhamos.

Pastor, escritor e apaixonado por tecnologia | Aprendendo com Jesus a leveza de viver | Pastor desde 2006 | Escritor desde 2007 | https://giovannialecrim.com.br

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