Deus gosta de música ruim?

A pergunta é tão subjetiva e aberta que merece um texto.

São tantas as possibilidades de se divagar a respeito da pergunta surgida no grupo do telegram do Felipe Stresser que eu resolvi sentar e escrever a respeito. Adoro provocações como esta. Dia 13 de julho, em Campinas, participei do Todos no Teologueiros, a convite do Douglas Araujo, e lá, num Painel, perguntaram se podia cantar funk na Igreja. Sentado na plateia, lembrei dos anos 1980/1990, quando o rock era rechaçado das igrejas. O que antes não podia, hoje pode. O que hoje não pode, amanhã poderá.

Gosto é um conceito subjetivo. A definição de ruim também. O que é ruim depende do conceito do que é bom. O que é bom para você, sua igreja e comunidade, não necessariamente será bom para a mim, minha igreja e comunidade. O que é música ruim? Gênero musical? Jeito que é tocado? Relativo. As escrituras vão nos dizer o seguinte sobre as músicas que cantamos.

Jesus estava a caminho de Jerusalém e, num determinado momento de sua caminhada, acompanhado dos discípulos, eles passam à margem de um vilarejo, na região de Samaria. Os samaritanos tinham uma rivalidade com os judeus mais forte que Atlético x Cruzeiro, Ferroviária x Botafogo, e qualquer outro clássico do futebol que você imaginar. Eles não se davam mesmo, de jeito nenhum, tanto é que, sozinho ali no poço, enquanto os discípulos foram buscar o que comer, Jesus trava um diálogo com uma samaritana e ela pergunta onde é certo adorar a Deus. Uma pergunta muito parecida com a que abre o presente texto. O que é certo e agrada a Deus. A resposta é o texto de João 4.23.

O texto do Salmo 150 é um bom exemplo de como o contexto determina a canção e o cantar da comunidade. Digamos que o salmista fez uso da didática do exemplo para mostrar como se deve cantar ao Senhor. A síntese do Salmo é o seu primeiro e último versículo. Tudo que está entre os dois versículos é recurso retórico para dizer que não importa o instrumento que você tem, se Javé é seu Senhor, você respira, então louve!

Deus ouve música ruim? Acredito que sim, afinal, o meu conceito de ruim é muito diferente do dele. Ele aceita o louvor que é feito em espírito e em verdade, como que se tem e como se é. Esta premissa não é um salvo conduto para se fazer o que se quer no louvor a Deus, pois o louvor e a adoração bíblica raramente é uma expressão solitária e individual, mas é comunitária. Quando a mulher pergunta Jesus onde é certo adorar, elá está perguntando numa perspectiva comunitária: nós falamos que é aqui, vocês falam que é lá, onde é então? É em espírito e em verdade, é quando o povo esquece as minúcias, as leis rituais, as brigas pela vaidade musical e passa a louvar porque Deus é bom em todo tempo e é o único digno de louvor e adoração.

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💻 Escritor | ✝️ Pastor | 🖥️ Design | Mais informações: https://cafecomalecrim.com.br

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