A fórmula mágica do crescimento para a igreja

Foto: Tima Miroshnichenko

Na noite do dia 31 de julho de 1903 um grupo de sete pastores e quinze presbíteros se retiravam da reunião do Sínodo Presbiteriano na Segunda Igreja Presbiteriana de São Paulo, na rua Helvetia, e se dirigia para o templo da Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo, na rua 24 de maio. Os motivos que levaram aqueles líderes a sair da reunião eram muitos, embora somente um tenha se perpetuado ao longo do tempo, e justamente o menos relevante deles, a saber, a maçonaria.

Não foi só pela maçonaria que aqueles líderes romperam com a Igreja Presbiteriana do Brasil. A interferência dos missionários estadunidenses, a falta de uma missão clara para os pastores brasileiros, a educação dos filhos da Igreja e nociva e danosa influência do dinheiro nas decisões conciliares fizeram com que aqueles líderes dessem um basta e resolvessem caminhar de maneira independente da Igreja dos Estados Unidos. Carregamos no nome da nossa denominação o motivo pelo qual não devemos nos curvar às influências e desmandos do dinheiro na igreja: independentes.

Desde que me entendo por gente ouço que a IPI vai mal, que só fecha igreja, que não cresce. Este discurso pessimista é confrontado com a realidade de comunidades pequenas, mas que permanecem fiéis e continuam semeando o evangelho. Quando cheguei à IPI, no início dos anos 90, éramos 480 igrejas, hoje somos 551 comunidades espalhadas pelo país perfazendo 96.409 membros. Dialogamos e não impomos a nossa fé. Cremos no poder do Espírito Santo como manifestação do amor de Deus em nossas comunidades e, ao invés de semear medo e desamor, trilhamos o caminho do amor.

Por que, então, muitos ainda insistem em dizer que a IPI vive vazia, quando, na verdade, há pessoas nela? A resposta é simples: querem que a IPI acabe. Quem quer? Aqueles que não concebem uma igreja onde o diálogo é permitido, onde o amor é vivido e o Evangelho é ensinado. Os que acreditam piamente que ser evangélico é só de um jeito, daquele jeito sisudo e moralista. Aqueles que preferem ver a grama verde do vizinho a ver o multicolorido jardim ao seu redor. A IPI abraça as mais diversas vertentes, e isso incomoda. Dos tradicionais engravatados aos litúrgicos de toga, passando pelos contemporâneos de camisa xadrez, os clericais e os de camiseta. Não tem fórmula nem padrão. Nossa identidade está firmada na diversidade e isso incomoda.

Olhando mais especificamente para a Igreja Presbiteriana Independente de Tucuruvi, como parte da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil desde os anos 1950 e organizada como Igreja em 1963, a pergunta permanece. Já ouvi gente dizer que nossa igreja está vazia. Vazia estava um ano atrás, com seis ou sete pessoas no culto. Hoje temos gente e com ministérios crescendo, como o do louvor. Não temos jovens! Dirão alguns. Abra os olhos, digo eu, eles estão aqui, e estamos procurando meios de trazê-los, mas se eles não se conscientizarem e se mexerem, não virão. E poderíamos fazer uma lista de departamentos que estão desarticulados e fracos e a pergunta continuará a soar: por que a IPI não cresce? Por que estamos vazios?

Estas perguntas são, ao mesmo tempo, uma ofensa e uma provocação. São uma ofensa na medida que desconsideram quem está, como que dizendo que elas não importam, que mais e outras pessoas importam. Elas são uma provocação na medida que eu faço esta pergunta esperando que o pastor dê a fórmula mágica do crescimento. Então eu darei. Sim, eu tenho a fórmula mágica para o crescimento da igreja! E você também tem! Você tá com seu celular aí? Pegue-o. Abra a câmera, tira uma selfie. Tirou? Publica com a legenda: eu sou a fórmula mágica para o crescimento da Igreja! Como eu sei? Vem comigo para o texto de Atos 16.5:

Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e cresciam em número a cada dia.

Vamos entender este texto? Paulo está no início de sua segunda viagem missionária. Ele parte para Derbe, dali segue para Listra e Icônio, cidades que tinha alta consideração pelo apóstolo. Ali ele recruta Timóteo e o circuncida em respeito aos judeus com quem conviveriam na viagem. Aí vem o cerne da fórmula mágica do crescimento, diz o verso 4: Em toda cidade por onde passavam, instruíam os irmãos a seguirem as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros em Jerusalém. Que decisões foram essas? A respeito da proclamação do evangelho aos gentios e da não necessidade de circuncisão. O cerne da fórmula mágica para o crescimento está na obediência e respeito à mensagem pregada.

Eu não sou ninguém. Sou apenas um homem de 43 anos, pastor desde os 27 anos, portanto há 16 anos, que tenta ensinar para as comunidades que pastoreia o que é o evangelho da graça de Deus. Procuro manter-me fiel à mensagem que recebi e passá-la com fidelidade. Desde 2018 estou aqui, com vocês, e salvo um ou outro sermão, neles todos eu enfatizo a necessidade de você falar e viver os valores do Reino. Não foi à toa que escolhemos o lema UNINDO VIDAS para a Igreja. Pessoas unidas, unindo mais pessoas com elas e com Deus.

Se eu estou dizendo a você que precisa pregar o evangelho, convidar pessoas e trazer pessoas para a Igreja e você não faz, a pergunta que faço é: por que a Igreja não cresce? Se você espera que tenhamos a forma e o jeito das igrejas ao nosso redor, sinto em lhe dizer que não teremos. Somos únicos e eles também. O que funcionava em Listra não funcionava em Derbe, mas o cerne, o essencial funcionava: seguir a orientação de pregar o evangelho, fortalecidos na fé.

Eu desconheço outra maneira de ser fortalecido na fé que não pelas colunas básicas da fé cristã: oração, leitura da palavra, comunhão com os santos, submissão a Cristo. Nenhum destes pilares deve ser vivido exclusivamente só. A oração no quarto com Deus é tão importante quanto a oração uns com os outros. A leitura diária da Bíblia é tão importante quanto a leitura comunitária, a comunhão nas atividades no templo é tão importante quanto nas de fora do templo e a submissão a Cristo é essencial em todos os momentos.

Invertemos os valores. Somos pessimistas com nossa igreja e queremos que ela cresça. Quero dizer a vocês que talvez não seja o ideal para você, mas o que temos e vivemos hoje é uma bênção de Deus, dado o contexto ao nosso redor e a quantidade de pessoas que insistem em virar as costas ou cruzar os braços ao invés de se voluntariar e trabalhar. Eu estou há cinco anos pregando que você deve pregar o evangelho para sua família e amigos e trazê-los para nossa igreja. Se você não o faz, não culpe a igreja por não ser do jeito que você quer, mesmo porque a igreja não é para ser do seu jeito, mas do jeito que Cristo quer que sejamos. E o que ele quer? João 17.15–21, e assim concluo esta mensagem:

Não peço que os tires do mundo, mas que os protejas do maligno. Eles não são deste mundo, como eu também não sou. Consagra-os na verdade, que é a tua palavra. Assim como tu me enviaste ao mundo, eu os envio ao mundo. E eu me entrego como sacrifício santo por eles, para que sejam consagrados na verdade. “Não te peço apenas por estes discípulos, mas também por todos que crerão em mim por meio da mensagem deles. Minha oração é que todos eles sejam um, como nós somos um, como tu estás em mim, Pai, e eu estou em ti. Que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

Sejamos um, vivamos a unidade dentro de nossa diversidade. A IPI não está morrendo. Muito menos a IPI Tucuruvi! Ela está viva e ativa e será ainda mais viva e ativa se você estiver vivo e ativo. O crescimento numérico, nas igrejas do Novo Testamento, são sempre fruto da unidade e testemunho da comunidade, por isso, mais uma vez eu vou apelar a vocês, Pela Coroa Real do Salvador: pare de falar do que está mal, passe a fazer parte da solução, levante bem alto a bandeira do Evangelho e anuncie a salvação, convidando amigos e familiares a se juntar a nós nesta caminhada. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe.

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Um ser deslocado, fazedor de coisas

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Giovanni Alecrim

Giovanni Alecrim

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